domingo, 3 de julho de 2011

Dinheiro

Oh! argent! Avec toi on est beau, jeune, adoré; 
on a consideration, honeur, qualités, vertus. 
        Quand on n'a point d'argent, on est dans la depéndance
de toutes choses et de tout le monde.

Chateaubriand.

Sem ele não há cova ― quem enterra
Assim grátis, a Deo? O batizado
Também custa dinheiro. Quem namora
Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?
Demais, as Dânaes também o adoram...
Quem imprime seus versos, quem passeia,
Quem sobe a Deputado, até Ministro,
Quem é mesmo Eleitor, embora sábio,
Embora gênio, talentosa fronte,
Alma Romana, se não tem dinheiro?
Fora a canalha de vazios bolsos!
O mundo é para todos... Certamente
Assim o disse Deus ― mas esse texto
Explica-se melhor e doutro modo...
Houve um erro de imprensa no Evangelho:
O mundo é um festim, concordo nisso,
Mas não entra ninguém sem ter as louras.

(Álvares de Azevedo, Lira dos vinte anos)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um salto

Sentado no parapeito do terraço, a mais de dez andares do solo, o sujeito olhava para o horizonte. Olhava como se esse fosse o último pôr-do-sol de sua vida. E provavelmente seria mesmo o último. Admirou uma vez mais a aliança de casamento dentro do estojo e a guardou no bolso do paletó novamente. Tomou outro gole de uísque no gargalo da garrafa. Viu que não estava só.

Uma mulher o observava da porta que dava acesso ao terraço. Assim que ele a viu, ela caminhou em sua direção e se debruçou no parapeito, ao seu lado. Olhava para os carros enfileirados enquanto a sinaleira regia a orquestra de ruídos metálicos. Tinha os cabelos negros, assim como os olhos, e um sorriso um tanto desconcertante. Voltou-se para o estranho e perguntou:

― Qual o teu motivo?

― O que é isso? Solidariedade suicida? – perguntou ele de volta, ríspido, com a voz levemente embargada pela bebida.

― Talvez. Se as pessoas se preocupassem mais umas com as outras, muitas vidas poderiam ser poupadas. Me dá um gole, conta a tua história que depois eu te conto o que me trouxe aqui.

Ele entregou a garrafa para ela e a estudou por um instante. Sabia que a conhecia, não se lembrava de onde, mas certamente a conhecia. Pegou um cigarro, o acendeu e, após a primeira tragada, tirou do bolso o estojo com a aliança e o abriu. Olhando para o anel, começou a falar:

― Nós quase tínhamos terminado o namoro, um namoro de cinco anos. Eu vinha cometendo erro em cima de erro, ela queria terminar e eu lutava para ao menos adiar o fim...

― Que erros? – ela perguntou, pegando o cigarro da mão dele. Depois de uma breve tragada, o devolveu.

― Tinha um amigo dela de quem eu tinha muito ciúmes. Então comecei a ameaçar o cara... enfim, o desgraçado contou pra ela, que ficou furiosa. Com toda razão, eu sei... mas o problema é que eu não conseguia me controlar, nunca fui bom com isso. E eu sentia que tava perdendo ela mesmo. Então, decidi começar a me consultar com psicólogo, psiquiatra, essas besteiras todas. Mas valia a pena. Passar um dia sem conseguir falar com ela era uma tortura, brigar, então, era terrível. Eu faria qualquer coisa por ela, nunca amei tanto alguém na minha vida.

Ele pediu a garrafa e tomou um largo gole. Parecia que as suas cordas vocais estavam amarradas em um nó cego. Com a voz embargada, continuou:

― Então, depois de uns meses, eu decidi pedir ela em casamento. Não tinha certeza se ela ia aceitar. Mesmo eu tendo melhorado muito com as crises de ciúmes, sempre escapava alguma coisa. Mas eu tinha esperanças. No fundo, eu sabia que ela me amava.

― E então? – perguntou a mulher, com uma fagulha de tristeza no olhar, como se já soubesse a resposta.

O sujeito travou por um instante: as palavras não vinham. Não vinham porque estavam entaladas em sua garganta, como se as letras fossem feitas de arame farpado. Seu rosto estava transfigurado pela dor. Precisava continuar o relato, suspirou e prosseguiu:

― Semana passada, fui buscar ela no trabalho, a gente ia sair pra jantar depois. Eu me atrasei um pouco, então ela saiu do serviço e foi se encontrar comigo no caminho. Vi ela no outro lado da rua, enquanto esperava o sinal fechar para atravessar. Ela demorou um pouco para notar, mas me viu também e acenou, sorrindo. Então... então... ouvi tiros. Três, quatro tiros. Olhei pra trás e vi um cara caído no chão, baleado, e outro fugindo. Quando voltei os olhos para a Beatriz, ela também tava no chão, do outro lado da rua. Corri em direção a ela, por um milagre não fui atropelado. Me ajoelhei junto dela, a tomei nos braços. Uma mancha de sangue, cada vez maior, se espalhava pela sua blusa. Ela olhou nos meus olhos e falou, com dificuldade: “Eu ia dizer sim”. Ela notou que eu não tinha entendido, e continuou: “Eu sabia do anel... a resposta é sim... eu te amo...” Eu não conseguia articular nenhuma palavra, apenas murmurava alguns “vai ficar tudo bem”, mas sabia que não ia ficar nada bem. Eu queria desaparecer, eu queria que o mundo acabasse... eu não queria ficar sozinho, sozinho com aquela dor que queimava o meu peito e a minha garganta. E, o pior de tudo, é que a bala deve ter passado do meu lado e acertado ela. Se eu estivesse um pouco mais para a direita, eu morreria no lugar dela. Eu daria tudo para ir no lugar dela. Tudo.

Por alguns minutos, ele ficou em silêncio, remoendo a dor da semana passada, que não o abandonava. Já não tinha mais lágrimas para derramar. Por fim, disse:

― Falei o meu motivo, agora é a tua vez.

Ela o encarou, séria, mas docilmente, e disse:

― Tu é o meu motivo.

― Por que tu se mataria por mim? Tu nem me conhece... – respondeu, surpreso.

― Mas eu não vou me matar.

A mulher virou-se e olhou para os carros, que continuavam a se estender em filas intermináveis. Suspirou fundo, e continuou:

― Não te lembra do meu rosto, Miguel?

Ele parou, pensativo, tentando se lembrar de quando a tinha visto antes. Escavou a memória e encontrou o seu rosto, figurando na cena da morte de Beatriz:

― Tu tava do lado dela... quando ela foi atingida... tu... como tu sabe o meu nome?

Miguel olhou no fundo dos olhos negros da mulher e enxergou um olhar antigo. Um olhar que já tinha visto infinitas histórias; que o abraçava, que o envolvia como o útero envolve um feto ou o cosmo envolve um planeta em formação. Era a Morte.

― Miguel, tu ainda pode mudar de ideia. Há tempo. Tu tem uma vida inteira pela frente... pensa nisso.

Aquilo era fantástico demais para a sua cabeça. Parou por um instante, pensando na causa de tal delírio, mas percebeu que – realidade ou não – ele tinha uma decisão a tomar. Na realidade, ele já tinha uma decisão tomada, bastava executá-la.

― Não... eu já me decidi. Uma vida inteira sem ela é tempo demais. Uma semana inteira já foi tempo demais.

Assim, Miguel olhou uma vez mais para o horizonte; o sol já mergulhara no rio. Subiu no parapeito e respirou fundo. A Morte subiu junto, o abraçou e escorou a cabeça em seu ombro.

Saltaram.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

10 Bandas Visual Kei

RENTRER EN SOI


exist†trace


0801弐209336


D


Lolita23q


Matenrou Opera


Versailles


cocklobin


Deluhi


FEST VAINQUEUR


3 +
presente de feriado hahahaha

T.M.Revolution


Moi Dix Mois


LUNA SEA

terça-feira, 21 de junho de 2011

D - 背徳の蜜は苦よもぎのように

Pra não deixar o blog muito parado, vou postar com uma maior frequência. Claro que nem sempre coisas úteis hahaha. Cultura inútil é comigo mesmo!!!
Mas aproveita aí e ouve um pouquinho porque eles são o que se tem de melhor no meio Visual Kei.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Inkubus Sukkubus - The Dark Goddess


E hoje trago o primeiro review do 4-knights (hell yeah!!), esse é o mais novo trabalho dessa banda fodástica, o Inkubus Sukkubus é uma banda inglesa formada em 1989, com um som classificado como gothic rock/pagan rock danem-se os rótulos, o que importa é que a banda é foda com umas letras bem interessantes e arranjos bem feitos, aliás se você gosta de Gothic Rock ou se gosta de mitologia e afins essa é a banda pra ouvir. Mas voltando ao assunto principal, esse é um bom cd claro que não chega nem perto de cds clássicos como o "Witches" e o "Vampyre Erotica" por sinal na minha humilde opinião, "Vampyre Erotica" é o melhor cd do Inkubus Sukkubus, ainda vou fazer um review dele. Mas outra vez voltando ao assunto hahaha, "The Dark Goddess" é a faixa que abre o disco e confesso que quando ouvi me deu uma vontade de trocar de cd porque tirando o nome bacana é uma faixa mediana e quase compromete porque se fosse por ela eu teria mudado de disco e ido escutar T.M Revolution e o seu cd "Cloud Nine" que por sinal é bem bacana. Mas não foi o que eu fiz, e olha foi uma boa ideia não ter feito porque a música que vem logo em seguida é muito boa, "Lose Yourself at the Nymphaeum" que tirando a letra pouco inspirada tem uma levada boa, os teclados estão bem feitos, aliás, adoro o trabalho de teclados usado no Inkubus Sukkubus apesar de ser bem simples é muito bem feito, a percussão ao fundo cobriu bem os espaços vazios da música, enfim ficou muito legal. Logo após temos a "Ferryman", é uma boa música que não tem nada muito diferente é mais uma daquelas faixas pra manter o rítmo do album, mas vale a pena ser ouvida.E então temos uma surpresa bem interessante no album a música "Night Angel" que tem uma pegada que lembra bem o Inkubus Sukkubus do início da carreira com um bom trabalho de guitarra bom, os teclados mais uma vez muito legais usando o timbre de strings da época do "Witches" e do "Vampyre Erotica" com uma introdução de melodia bem simples que inicia com um "stringão" básico que começa sozinho e logo após com uma dobra e então um trio, é incrível essa sacada, e se tu já ouviu algum cd mais antigo do Inkubus Sukkubus vai notar que a fórmula dessa música é basicamente a mesma usada em várias outras mas o resultado é sempre bem satisfatório. Então temos a faixa "One of the Dead" que mantém o nível do cd, essa música é mais cadenciada e tem um trabalho de contra baixo muito interessante o arranjo de guitarras é bem comum mas dá um corpo legal pro som juntamente com o teclado. Logo após temos a melhor faixa do cd "Bacchanalia" caso tenha notado alguma coincência com o nome de Baco o deus do vinho, parabéns acertou, a Bacchanalia era o festival do Baco regado a vinho (e muita putaria diga-se de passagem hahaha). Essa música é incrível, de longe a melhor música do cd, ela tem uma introdução de teclado perfeita essa introdução por sinal é bem parecida com a da "Love Spell" uma música de outro cd deles que também é muito boa e que se tu já ouviu provavelmente vai notar a semelhança, essa introdução quando ouvi da primeira vez já me deu a sensação de que vinha música muito boa, e realmente foi o que aconteceu.Ela também é bem cadenciada, é linda, tem um uso de percussão ao fundo dando uma preenchida no som e adicionando um pouco de vida a melodia, uns strings feitos pelo teclado que dão um resultado ótimo, a bateria é bem simples só faz a marcação mesmo e as guitarras também são simples só dão um corpo maior pra música mas o que dá a beleza do som realmente é o trabalho de strings do teclado aliado a percussão, enfim, essa música DEVE ser escutada com certeza. Em seguida temos a "Lunacy" que começa com um clima baladinha hahaha só com um violão e um choir que aparece pra dar um climinha a mais ahahahaha. Essa música não tem nada de impressionante tirando o choir no refrão que dá um clima bacana, mas isso não quer dizer que ela seja ruim claro que não, é mais uma boa música que continua a manter o nível do cd e que vale a pena ser ouvida. A faixa seguinte é "Hammer of the Witches", qualquer semelhança com Malleus Maleficarum não é mera coincidência, porque o tema Wicca aparece constantemente na carreira do Inkubus Sukkubus e caso não saiba o que é Malleus Maleficarum google it pois é bem interessante. Bom, essa música ficou bem regular, as estrofes ficaram bem fracas, a introdução é ficou sensacional mas quando o vocal da Candia entra o som fica meio confuso, tirando isso a intro é bem legal, mas o que me chamou a atenção e o que não deixou essa música fraca foi o refrão que é bem ao estilo do Inkubus Sukkubus de se fazer e com a adição da percussão deu um resultado interessante. Então vem a fraca "Kissed by Eros" que olha, vendo a letra pouco inspirada, o som enfadonho e o nome só dá pra chegar a conclusão de que o deus Eros beija mal pra caralho porque com uma música dessa tenha dó. E pra finalizar aparece a "Karnayna" que começa bem calminha com um violão que me lembra demais a "Snow" do Red Hot Chili Peppers (eu posso ta maluco, mas me lembra demais) e um pedal que aos poucos vai anunciando a chegada do refrão que ,nossa, é espetacular e assim como a "Witches" o refrão consiste só da repetição do nome de algum deus ou deuses nesse caso o deus Karnayna da religião neo pagã Wicca. Ótima música nem vou me ater a falar sobre o instrumental porque agora to aqui me viciando nessa faixa que não é a melhor do cd mas é uma das melhores. Enfim, chegamos ao fim desse review e só posso dizer: o que tu está fazendo que ainda não foi ouvir esse cd? Ahh e só uma curiosidade esse cd ficou conhecido por levar o número de catálogo ABCD666.


NOME DO ALBUM: The Dark Goddess
BANDA: Inkubus Sukkubus
ANO: 2010
FAIXAS:

1-The Dark Goddess
2-Lose Yourself at the Nymphaeum
3-Ferryman
4-Night Angel
5-One of the Dead
6-Bacchanalia
7-Lunacy
8-Hammer of the Witches
9-Kissed by Eros
10-Karnayna







O que? Ainda não foi ouvir? Olha, não me faça mandar de novo...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Existe Príncipe Encantado?

Essa é a pergunta que muitas meninas, mulheres e até senhoras se fazem quando algum relacionamento não dá certo.

E o problema em torno dessa pergunta começa quando ainda somos crianças: as meninas passam a infância assistindo a contos de fadas e já começam a sonhar com o seu “Príncipe” e com o tão desejado “Final Feliz”. Ao longo do tempo, as meninas vão se tornando adolescentes e já não acreditam mais em contos de fadas; porém, ainda buscam o seu “Príncipe Encantado”. Essa marca que trazemos desde a infância se reflete nos relacionamentos. Passamos boa parte de nossas vidas amorosas almejando, buscando e procurando o tão desejado “Príncipe Encantado”.

Vemos exemplos disso todos os dias: nós mulheres quando encontramos um homem bonito e atraente, que, de certa forma, a atração foi mútua, já imaginamos que é “amor à primeira vista”, o que, na verdade, nada mais é do que atração física. Pois bem, conforme conhecemos o tal homem, vemos só as qualidades, e é aí que mora o perigo! Com tantas qualidades e bonito! Já acreditamos que nossa busca não foi à toa, e que finalmente encontramos o tal “Príncipe” e agora poderemos ser “Felizes para Sempre”.

Quanta ingenuidade! À medida que realmente conhecemos o tal “Príncipe Encantado” e começamos a ver seus defeitos, ele já não nos parece mais um “Príncipe”, muito menos “Encantado”, sua forma se parece mais a de um “Sapo” nem adianta dar um beijo, pois ele não se tornará “Príncipe”. O tão sonhado “Felizes para Sempre” passa a não ser mais tão “Felizes”, muito menos “para Sempre”. Sorte quando dura alguns meses ou mesmo anos.

Afinal, não existe esse negócio de “Príncipe Encantado”, “Felizes para Sempre” nem “Final Feliz” na vida real. Isso só existe em contos de fadas da Disney, pois se procurarmos nas versões verdadeiras em nenhuma delas tem um “Final Feliz”.

Porém não quero destruir os sonhos das mulheres de que contos de fadas não existem, mas não precisamos ficar solteiras, comendo sorvete e chorando na frente da TV assistindo a esses contos e até filmes românticos nos quais todos os homens, mesmo com certos defeitos são “Príncipes”. Pode ser que aquele tal “Sapo” tenha algumas qualidades, quem sabe lá no fundo, talvez bem lá no fundo, ele possa ter algo de “Príncipe”. Então poderemos até ter momentos felizes, eles não durarão para “Sempre”, mas fazem a vida valer à pena.

domingo, 5 de junho de 2011

Mal secreto

Se em muita fronte que parece calma,
Se em muito olhar que límpido parece;
Se pudesse notar, ler se pudesse,
Tudo o que n'alma existe e vive n'alma!

Entre essa paz fictícia que se espalma
No rosto, a inveja, raro transparece;
Ela que à glória alheia se enraivece,
E que às alheias lágrimas se acalma.

Alma, vítima dessa enfermidade!
Mal sabes que à dos outros sendo adversa,
Tu és adversa à própria f'licidade!

A inveja os risos todos te dispersa:
Menos ódio merece que piedade,
Porque és mais insensata que perversa.
    Raimundo Correia

Franz Ferdinand - L. Wells



Indicação de Bianca Caroline Schweitzer, minha indicadora-mor de coisas legais e recordista absoluta em aturar Rodrigo.