Se em muito olhar que límpido parece;
Se pudesse notar, ler se pudesse,
Tudo o que n'alma existe e vive n'alma!
Entre essa paz fictícia que se espalma
No rosto, a inveja, raro transparece;
Ela que à glória alheia se enraivece,
E que às alheias lágrimas se acalma.
Alma, vítima dessa enfermidade!
Mal sabes que à dos outros sendo adversa,
Tu és adversa à própria f'licidade!
A inveja os risos todos te dispersa:
Menos ódio merece que piedade,
Porque és mais insensata que perversa.
Raimundo Correia
Um comentário:
bah... o pior é que o soneto é interessante... mesmo sendo parnasiano...
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